segunda-feira, 16 de maio de 2011

Fundador do WikiLeaks recebe Prêmio na Austrália

O fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, foi declarado vencedor da  Medalha de ouro da Fundação Sydney Peace nessa terça-feira 10 de Maio de 2011.
A medalha de ouro é uma das premiações mais importantes da Austrália na área da defesa dos direitos humanos e só havia sido entregue a outras três pessoas, sendo elas, o Dalai Lama, o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela e o japonês Daisaku Ikeda, da associação budista Soka Gakkai, o que a difere-se do Premio Nobel da paz que há 14 anos é entregue anualmente.
De acordo com a agência Reuters, a medalha de ouro foi entregue pela fundação em Londres e prestou homenagem a Assange por sua "determinação para conseguir maior transparência dos governos e por sua coragem excepcional na defesa dos direitos humanos".

 "Achamos que a luta pela paz com justiça inevitavelmente envolve conflitos, inevitavelmente envolve controvérsias", disse o Professor Stuart Rees, diretor da fundação, ao justificar o prêmio.

O professor ainda completa dizendo que o mérito de Assange está em desafiar práticas seculares de segredo governamental e defender o direito das pessoas saberem. "Achamos que o senhor e o WikiLeaks provocaram o que julgamos ser um divisor de águas no jornalismo, na liberdade de informação e potencialmente na política"

Um pouco da historia de Julian  Assange
Julian Paul Assange nasceu em 1971 em Townsville, no nordeste da Austrália. Em 1987 aos 16 anos, Assange tinha um modem, e seu computador foi transformado em um portal, ainda não existiam websites, mas as redes de computadores e sistemas de telecomunicações estavam suficientemente ligadas para formar uma rede que alguém com grande conhecimento técnico conseguiria invadir. Assange começou a "hackear" sob o nome "Mendax" (“falsa nobreza”) e posteriormente se uniu com mais dois outros hackers formando um grupo chamado International Subversives cuja as  regras eram: "Não danificar os sistemas de computador que você acessar (incluindo cometer falhas neles), não alterar as informações contidas nesses sistemas (exceto para alterar registros a fim de cobrir seus traços de acesso), e compartilhar informações".
Em 1991, a Policia Federal Australiana invadiu sua casa em Melbourne, e ele foi acusado de ter acessado os computadores da Universidade Nacional da Austrália, da empresa de telecomunicações canadenses a Nortel, do Instituto de Tecnologia Royal Melbourne (RMIT), além de outras organizações. Em 1992, ele se declarou culpado de 24 acusações e foi libertado sob fiança no valor de U$ 2.100,00.


Em 2006, abandonou os estudos em matemática e física na Universidade de Melbourne e fundou o Wikileaks com o objetivo de publicar informações filtradas de "regimes opressores" como China, a antiga União Soviética, a África Subsaariana e o Oriente Médio, sem deixar à margem as "condutas pouco éticas" de países do Ocidente.

Por segurança, o WikiLeaks mantém seu conteúdo em mais de 20 servidores ao redor do mundo e utiliza centenas de domínios - bancados por voluntários e doadores.
            Julian Assange esteve envolvido na publicações de documentos sobre execuções extrajudiciais no Quênia, publicou documentos sobre resíduos tóxicos na África, sobre procedimentos do Guantámo, entre outros. Em 2008, seus cinco parceiros de mídia, El País, Le Monde, Der Spiegel, The Guargian e The New York Times, começaram a publicar os telegramas secretos da diplomacia dos EUA, além de detalhes sobre o envolvimento dos Estados Unidos nas guerras do Afeganistão e Iraque.

Em 2010, após o vazamento da vasta massa de documentos sobre possíveis crimes de guerra cometidos na Guerra do Afeganistão e na Guerra do Iraque pelo Exercito dos Estados Unidos, sua fama cresceu e desde então, Assange começou a dar entrevistas para defender seu site.
            Em 30 de novembro de 2010, foi acusado de estupro e abuso sexual na Suécia e a Interpol o colocou em sua lista de procurados. No dia 7 de setembro, em Londres, Assange apresentou-se à Polícia Metropolitana e negou a veracidade das acusações contra ele, sendo liberado nove dias depois. 
A prisão de Julian Assange, bem como as atividades mais recentes do WikiLeaks, geraram pronunciamentos de pessoas públicas. O cineasta  inglês Ken Loach, a milionária Jemima Khan e o jornalista investigativo australiano John Pilger tinham se oferecido para pagar a fiança de Assange e também compareceram à corte de Westminster no dia do julgamento. Michael Moore e Bianca Jagger também contribuíram para o pagamento. Além de dezenas de jornalistas, uma multidão de simpatizantes do ativista australiano se concentrou em frente ao tribunal londrino, recebendo com alegria a notícia de que ele seria posto em liberdade
Julian Assange, 39 anos, está atualmente em prisão domiciliar na Grã-Bretanha por uma acusação de abuso sexual supostamente cometido na Suécia, em agosto de 2010. Ele nega as acusações e afirma ser vítima de um complô.
Por seu trabalho no Wikileaks Assange ganhou o Index on Censorship do The Economist de 2008. Ganhou o Amnesty Internatinal UK Media Awards de 2009, por ter exposto os assassinatos extrajudiciais no Quênia. Em 2010, ganhou o Sam Adams Award, prêmio concedido àqueles que aliam ética e inteligência a agências inteligentes, foi  votado como uma das 50 figuras mais influentes pela New Statesman, ficando em 23º lugar, além de ter sido considerado o "homem do ano" pelo jornal francês Le Monde. E em 2011 além da atual medalha de ouro, foi incluído na lista da revista Time como um dos 100 mais influentes do planeta.

“Independentemente do que acontecer com Assange, (...) segredos nunca estarão seguros novamente", disse a revista Time.



                         





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